como já me foderam a 6ª também

deixo uma citação para quem quiser pensar:

"Porque haveríamos de amar, de desejar uma só pessoa? Ser fiel às suas ideias não é (felizmente!) ter uma só, nem ser fiel em amizade supõe que tenhamos um único amigo. Fidelidade, neste campo [amoroso], não é exclusividade. Porque não haveria de ser assim no amor? Em que nome se pretende o gozo exclusivo do outrem? É possível, acredito mesmo que seja mais cómodo, mais seguro, mais fácil e, afinal, talvez mais feliz, enquanto dura o amor. Mas nem a moral nem o amor me parecem ter muito a ver com isto. Cabe a cada qual escolher, segundo as suas forças ou as suas fraquezas. A cada qual, ou melhor, a cada casal: a verdade é um valor mais alto do que a exclusividade e o amor parece-me ser menos traído pelo amor (o outro amor) do que pela mentira. Outros pensarão o contrário, e eu mesmo talvez, noutra altura. O essencial não me parece residir nisto. Há casais livres que são fiéis à sua maneira (fiéis ao seu amor, à sua palavra, à sua liberdade comum...). E muitos outros, estritamente fiéis, tristemente fiéis, em que cada um dos dois teria preferido não o ser... O problema aqui é menos a fidelidade do que o ciúme, é menos o amor do que o sofrimento. Mas isso não interessa. Fidelidade não é compaixão." 

ANDRÉ COMTE-SPONVILLE, Pequeno Tratado das Grandes Virtudes (1995), Editorial Presença, 1995, p. 35 (sobre a virtude «fidelidade»):

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